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Recomeçando após o erro


Por Jacson Bueno de Lima
Ao ler o livro de Atos no capítulo 13 e versículo 22, deparo-me com a descrição de um homem segundo o coração de Deus, DAVI. Personagem este, de grandes histórias, de grandes conquistas, e de um currículo invejável. Quando pensamos em Davi, logo pensamos na batalha contra Golias, logo lembramos dele como um Super Herói. Entretanto, quando eu olho para a história de Davi, eu vejo um homem imperfeito, cheio de erros.
Dos seus maiores pecados, o capítulo 11 do 2º Livro de Samuel, e seus capítulos subseqüentes, narra a história de alguém que seria passível de pena de morte. No capítulo 11, Davi cobiça a mulher de outro homem, usa de seu poder para adulterar com ela e não obstante a isso, manda matar o seu esposo para ficar com ela. Para os homens, Davi se tornou alguém da pior espécie. Mas então, Deus entra em ação.
A primeira atitude de Deus para com o homem errado é a correção. Deus permite que desta relação adúltera seja gerado um filho. Embora, fruto de uma ilegalidade aos olhos do pai, crescem as expectativas de Davi de ser pai. Por nove meses Davi imagina seu filho dando seus primeiros passos, falando a primeira palavra, aprendendo a lutar como ele e quem sabe ser o seu sucessor no trono de Israel. A criança nasce e então é acometida de uma enfermidade e vem a falecer. Davi passa por uma grande decepção e só agora consegue se dar consciência do seu pecado.
Neste momento, Davi coloca a mão na consciência e se vê em frente ao espelho como um homem adúltero, assassino e somando se a isso a perda recente de um filho. Poderia ele parar por aí, renunciar ao trono, desejar a morte, deprimir-se, desistir de lutar. Mas Davi toma algumas atitudes

“Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas, e entrou na casa do SENHOR, e adorou. Então foi à sua casa, e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu.”
2 Samuel 12:20

Davi, resolveu tocar a vida em frente ao invés de ficar lamentando o que ficou para trás e ainda no mesmo capítulo, Davi ajunta o povo para uma batalha e vence, voltando a ser o velho Davi vencedor.
Tomo por base este texto para falar a pessoas que em algum momento da caminhada cometeram falhas inadmissíveis, erros imperdoáveis à ótica humana. Pessoas que com suas atitudes, permitiram que os outros criassem uma imagem péssima de sua vida e agora não sabem como voltar atrás e concertar o erro. Sofrem assim, com uma das piores dores que é a consciência pesada. Deitam a noite e o sono não vem, pois jogaram fora o que tinham de mais precioso por um minuto de bobeira. Nesses momentos, perdem-se amizades, perde-se a confiança, perde-se a fé, perde-se a santidade.
João, em sua primeira Epístola, no capítulo 2 e versículo 1 recomenda que não pequemos, mas logo em seguida ele complementa: “se alguém pecar, temos um advogado [...]”. A recomendação é que não façamos tudo conforme nossos próprios desejos sob o argumento de que tudo Deus perdoará, entretanto, fica claro que o erro não é o fim da linha.
As atitudes de Davi nos servem de exemplo de como começar de novo e seguir em frente.
I-                   Davi se levantou da terra.
Servo de Deus não nasceu para ficar prostrado, não nasceu para ficar no chão, ainda que peque, o Sangue de Cristo na cruz do calvário remiu o pecado do homem e quando se peca, deve se olhar para a cruz de Cristo e perceber que somos mais que vencedores, porque Ele pagou o preço por nós
II-                 Davi se lavou.
Lavar em Israel era um ritual de purificação. Quando Davi se lavou ele disse para si mesmo: - “Eu não quero mais estar sujo”. Lavar-se significa tomar uma atitude frente ao erro e ao pecado e dizer –“Eu errei mas não quero errar mais e vou fazer o correto daqui pra frente”. Limpe-se de toda a sujeira, jogue no lixo o adultério, a prostituição, as bebedices, orgias, iras, contendas, inimizades, porfias, dissensões.
III-             Davi se ungiu
A unção é a capacitação de Deus. Quem é ungido vence o urso, vence o gigante, vence o inimigo, vence as adversidades. Certa vez Daniel e Samuel escreveram em uma de suas composições “é na unção divina que você passa por cima do inimigo e vai e aonde você chega diferença faz, você canta, você fala e Deus faz um milagre”. É tempo de buscar a unção de Deus sobre a sua vida.
IV-             Davi mudou de vestimentas
Quando alguém estava triste ou em luto na nação Israelita, este se vestia de saco para mostrar a todos que estava triste. Hoje não possuímos este costume, mas “vestimo-nos de saco” com nossos semblantes caídos, com olhares longes, tristes e perdidos. Mudar de vestimentas como Davi mudou, implica em tirar a tristeza da cara e do coração, erguer a cabeça, bater no peito, sacudir a poeira e colocar um sorriso no rosto, pois a vida precisa seguir em frente.
V-                Entrou na casa do Senhor e adorou
Davi foi para a igreja, foi para o lugar do socorro, foi ouvir um louvor, uma palavra e adorar ao Senhor Deus.
        Existem dois tipos de pessoas que precisam entrar na igreja: aquelas que não participam de cultos a Deus e aquelas que muitas vezes estão na igreja apenas de corpo e não de mente. Tenho visto cultos em que após a ministração pessoas cantam, choram, são renovados, recebem os dons do Espírito Santo, entretanto alguns permanecem com “cara de delegado” como quem comeu alho. São pessoas que estão ali para cumprir um ritual e não para adorar. Existem pessoas dentro da casa do Senhor que precisam entrar na casa, entrar no clima, mergulhar na adoração, buscar um nível mais profundo de intimidade com Deus.
VI-             Davi pediu pão e comeu
        A palavra de Deus é como um pão que alimenta. Nós só conseguimos prosseguir na caminhada a partir do momento em que queremos nos alimentar deste pão que alimenta a alma o qual é a palavra de Deus.
Um dos principais pontos que necessitam crescimento, em se tratando de alimento da palavra de Deus, é a compreensão de que Deus não fala aquilo que queremos ouvir, mas aquilo que ele quer que ouçamos. Por vezes até nos decepcionamos quando ouvimos algo que vai contra os nossos conceitos, mas devemos entender a soberania divina.
         É tempo de compreendermos que Deus é o criador do homem e não o homem o criador de Deus. Deus é soberano e fala o que Ele quer, quando Ele quer e na hora que Ele quer, tudo porque a vontade dele é perfeita. Nem um homem tem a capacidade e poder para questionar a vontade de Deus. Deus alimenta a nossa alma com sua palavra e nem sempre o alimento é a sobremesa doce, às vezes é preciso um alimento forte, consistente, que combata o erro e o pecado veementemente. Não precisamos de palavrinha de auto-ajuda precisamos sim a ajuda do alto para que não cresçamos raquíticos espiritualmente, mas forte, firme e firmado na rocha que é Jesus Cristo e na consistência de sua palavra.

Jesus Cristo e o Direito Penal Mínimo


O direito penal mínimo surgiu após a idade média como uma alternativa a aplicação de penas através da sanção estatal. Tal teoria afirma veementemente que existem momentos em que não é necessária a aplicação do Direito Penal. Nesse sentido entende-se que a pena é uma violência exercida pelo Estado e só deve ser usada em última instancia, quando não há outras formar de reprimir e prevenir determinadas condutas.
Tal teoria teve sua aplicação somente a partir do Século XIX onde começou a fazer parte de preceitos constitucionais e nortear os princípios basilares do Direito.
Entretanto a sabedoria divina é aquela que excede a sabedoria humana. Antes que os primeiros estudiosos cogitassem a aplicabilidade do Direito Penal Mínimo, Jesus Cristo foi o grande autor de tal ciência jurídica não só por cria-la, mas por aplica-la em um caso concreto.
Veja a transcrição Do capítulo 8 do evangelho de João, versículos 3 a 7.
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E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério;
E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando.
E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?
Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.
E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

Veja o olhar jurídico sobre a referida passagem. Temos um Estado legítimo: Israel. Temos uma norma positivada: Lei Mosaica. Temos um crime: Prostituição. Temos uma pena: Apedrejamento.
O sistema legal e eclesiástico vigente em Israel ordenava a aplicabilidade de uma pena. Mas Jesus Cristo, como criador do Direito Penal Mínimo, em sua incomparável sabedoria faz algo Diferente. Ele rompe com o sistema penal apresentando algo alternativo a sanção posta pelo Estado. Ele mostra que a lei e o Direito Penal nem sempre são as alternativas mais adequadas para um caso. E por fim o mais importante, Ele mostra que é possível ressocializar o indivíduo ao dizer para a mulher: - Vai e não peques mais.
Infelizmente, deixamos de seguir este ensinamento e continuamos a achar que vivemos uma sociedade de mocinhos e bandidos. Esquecemos que somos todos criminosos, pois erramos por diversas vezes. E no final matamos, com nossas opiniões, àqueles que ousam discordar dessa sociedade com conceitos velhos cheia de ódio, rancor, violência e vingança.
Mas em todos os sistemas, sempre há alguém que desafia e acredita na mudança. Louvado seja Deus pela vida de pessoas que não descartam os seres humanos jogados no esquecimento do cárcere. Que bom que há assistência religiosa no sistema penitenciário. Faço parte de uma entidade (Assembleia de Deus) que tem recuperado muitas pessoas que foram marginalizadas pelo sistema e pela sociedade.
Todos merecem uma segunda chance, todos merecem uma chance de ser resgatado e mudar de vida, de tornar-se uma pessoa melhor. Não sejamos hipócritas de nos acharmos inocentes e jogar pedras naqueles que não tiveram outras oportunidades na vida.